Desempacotando o futuro
Mônica Abboud Gerke
A busca pela sustentabilidade é a marca do século 21. Embora muito mais discurso que prática,
o processo de mudanças na história nunca foi diferente. Nunca uma mudança na maneira de ver o mundo aconteceu da noite
para o dia e provocou alterações na ordem mundial. Até mesmo o capitalismo, resposta à necessidade de conquistas do homem,
foi um processo. Processo cujo preço pagamos caro. Pagamos com aquilo que não tem preço e não pode ser vendido.
Saímos da qualidade de alarmistas e pessimistas e passamos para o lado dos politicamente corretos quando falamos em
sustentabilidade. Mas é um processo, e lento, pois as mudanças de comportamento exigidas são contrárias à sensação
de conforto produzida pelo capitalismo. Os municípios do Paraná, como em outros Estados, buscam constantemente o
equilíbrio ambiental e a mitigação dos impactos causados pela urbanização. Mas não é um processo fácil. Em se
tratando de aterros sanitários, por exemplo, São Paulo, Curitiba, Belo Horizonte e Rio de Janeiro estão com os aterros
no limite de utilização. Mas o consumo e a produção de lixo não diminuem, estima-se que o lixo doméstico e
comercial chega a 1,3 quilos por pessoa por dia, sem contar com o lixo resultante das construções civis.
Municípios
grandes e pequenos estão enfrentando, com raras exceções, graves problemas com a destinação do lixo. O processo é
caro e normalmente as pessoas desejam apenas que o lixo desapareça da frente de seus olhos e casas. Nosso município
recolhe 99% dos resíduos sólidos urbanos, mas ainda precisamos reestruturar a destinação e modificar hábitos para
que busquemos a sustentabilidade. Em nossa cidade, cada supermercado gasta, para atender seus clientes, 100.000
sacolas por mês. Só na região central da cidade há quatro, somando 400.000 sacolas/mês para os clientes levarem
suas mercadorias para casa. Sem contar as embalagens de outros estabelecimentos comerciais. O tempo de utilização
da sacola não chega a 2 horas, já que chegando em casa as compras vão para a despensa ou geladeira, mas a sacola que
some dos olhos na manhã seguinte ficará no ambiente por mais 400 anos. Fazendo as contas serão 1.920.000.000 sacolas
nesse período.
O processo é gradual, necessário e não tem volta. De um lado os entes públicos são moldados, dentro
de um planejamento, às novas necessidades e ordem ambiental, e de outro, as pessoas, modificando hábitos e conceitos
para que juntos priorizemos o bem estar das futuras gerações.
A casa da mãe Joana
Mônica Abboud Gerke
É assim que está sendo chamada a Floresta Amazônica.
Muito fácil meter o dedo na
ferida do outro e dizer que é procedimento de cura.
Fácil mostrar o que está errado no seu jardim enquanto
o mato cresce na minha própria casa.
As notícias sobre a intervenção internacional na Amazônia é uma máscara,
é uma fraude. Já vimos o mesmo filme com outros países vítimas do "paternalismo" americano.
O Brasil possui um
tesouro valiosíssimo nas mãos, do qual a antiga e saudosa Ministra, Marina Silva, conhecia muito bem.
Saber cuidar
dele é um dever e compromisso de todos os brasileiros, sem falar que é preocupação de segurança nacional. Está muito
fácil comprar terras na Amazônia e Mato Grosso. Muitos estrangeiros têm feito isso e nada tem acontecido. Aquela
região está uma verdadeira colcha de retalhos internacional, onde todo mundo se acha dono. Sem a devida manifestação
de soberania, nada feito.
Tem desde biólogo fantasiado de missionário que até Noé atravessou o Mar Vermelho a seco.
Pirataria barata e descarada. Cupuaçu com patente na terra do sol nascente. Pode? Até aqui não pode. E o que vai
acontecer a partir de agora?
É preciso abraçar a Amazônia como ensinamos as crianças a abraçarem as árvores!
Professores, ensinem seus alunos sobre a maravilha da biodiversidade brasileira, seus biomas, suas particularidades.
Pais, falem com seus filhos do orgulho de serem brasileiros e conversem com eles sobre a importância das áreas de preservação local
e nacional.
Não é só o governo que é responsável pela soberania. Todos nós somos o Brasil e nossas florestas. É
preciso ser mais bionacionalista e menos humilde em relação aos nossos recursos naturais.
Minha terra tem palmeiras,
tem sabiá, e eles ainda cantam. Mas na terra do Obama...
O ladrão entra em casa enquanto nós estamos vidrados na
televisão. E leva a casa toda.
Não tem dinheiro que pague os micos-leões dourados, as ararinhas-azuis, as
espinheiras-santas, as copaibas, os paus-rosa e toda maravilha presenteada por Deus nessa terra. Que possamos exercer
com responsabilidade a nossa função de mordomos nessa terra.
Lavando a indignação
Mônica Abboud Gerke
Trabalhou o dia todo. Saiu cansado e esgotado. Nem tudo terminou bem, mas vai para casa
almejando um banho. Banho revigorante, que lava o corpo e a alma. Expressão boa essa de lavar a alma. Dá a idéia
de renovação, de dever cumprido, de alívio. Boa também, embora um pouco grosseira, o “lavar a égua”. Levando em
consideração o tamanho do animal é um banho e tanto. A égua fica lavada quando se aproveitou a situação ao máximo.
Na Festa do Bonfim a lavagem das escadarias é um ritual de purificação. Água de cheiro, música e dança, trazendo para
os devotos a sensação de limpeza interior e renovação.
Fico aqui pensando se é possível lavar a alma, a égua e as escadarias com água contaminada, usada e não reciclada.
Lavar significa limpar, purificar, cuidar, revigorar. Não vejo como lavar bem com a água de alguns córregos bem
conhecidos.
Até nossas nascentes se envergonham das águas que jorram. Não é apontar o dedo, é por o dedo na ferida.
Quando você vai a Igreja, é indispensável passar pela água benta. As orações e a consagração do Sacerdote,
segundo a Igreja Católica, purificam a água, trazendo para quem a usa a lembrança de que Cristo é a Água Viva,
salvadora e purificadora. Benzida é a água e não a poluição nela contida. Se na religião cristã nosso corpo não
pode ser contaminado por ser o templo do Espirito Santo, então como contaminamos tanto a água que é vital para o
seu funcionamento e saúde?
Desperdício, mau uso dos recursos naturais são atitudes nada cristãs.
A idéia de que
a água é sua porque você paga por ela, é falta de conhecimento. Paga-se pelo fornecimento, pelo serviço de tratamento
e não pela água. Nós não teríamos dinheiro suficiente para pagar um bem tão precioso e indispensável. Acorde, por
enquanto, é de graça.
Pense um pouco, um perfume caro, se usa até a última gota, mas a água da mangueira, lavando
as calçadas, corre solta e abundante. Um litro de água usada (chama-se servida) polui outros oito litros de água
limpa. E ainda vale lembrar que estamos usando 20% a mais da capacidade de reciclagem do ambiente.
Sem ser alarmisma. Só cuidado e consciência.
Use com parcimônia e respeito esse bem dado amorosamente pelo seu
Criador. Nem tudo pelo qual se paga caro tem realmente valor alto. Pense nisso. Pense na ausência.
Água purificadora, símbolo de vida e ressurgência. De amor , de recomeço e de perdão, afinal, águas passadas não
movem moinhos.
Pense nisso com carinho quando beber o próximo copo de água.
Ser jovem é ter voz e opinião
Mônica Abboud Gerke
Quem viveu a juventude na década de 60 e 70 sonhava com a liberdade de expressão, com um governo
ideal, do povo e para o povo (como todo jovem sonha) e no meio de muita repressão, muitas vezes velada nos livros
didáticos ou na rotina escolar. Ser cidadão brasileiro era exercer direitos limitados com cara de liberdade. Nesse
contexto, sonhar com um governo diferente impunha aos jovens o desejo de conhecer e buscar na história e na política
a resolução para os seus problemas e para o seu ideal de governo. Assim, não raro encontrar admiradores consistentes
do famoso quase médico Ernesto Guevara, o Chefe, que preferiu a guerrilha à cirurgia. Os ideais desse se confundiam
como desejo de mudanças dos jovens de então. E será que os jovens se interessam em assistir o filme "Diários de Motocicleta"?
Hoje nós sabemos que a revolução subana na América Latina não seria nem de longe a realização do sonho do governo ideal,
mas à época parecia uma saída milagrosa para a repressão e para o governo de extrema direita. Sem medo de errar, aqueles
jovens faziam algo para melhorar o cenário social e político em que viviam. Comum encontrar fãs de Lamarca a Lênin e Marx,
com "O Capital" lido, pelo menos em parte. Nem certo, nem errado, apenas motivados e inseridos no ambiente político,
com opiniões e ideais que o tempo, a experiência e o conhecimento iriam lapidar. Muitos políticos, escritores, atores
e empresários atuantes hoje, são resultados do turbulento furacão de idéias e conceitos que nortearam a década de 60 e 70.
Com exceção dos "caras pintadas" do governo Collore algumas invasões ilegais à reitorias de universaidades, os jovens
desse milênio se importam pouco com as maneiras de modificar o ambiente em que vivem. Desejam o sucesso, mas parecem
desmotivados em buscá-lo.
A América Latina tem se mobilizado em busca do protagonismo juvenil, onde o jovem é ator
importante e indispensável no processo de mudança e direcionamento das políticas públicas que melhorem a formação e
oportunizem o sucesso desses jovens na sociedade. Assim buscando o equilíbrio entre as décadas passadas e agora, o
Brasil tem mobilizado discussões municipais que nortearão discussões estaduais que por sua vez farão parte da política
nacional da juventude. Importante momento na história da juventude do País. O jovem sai do DOI/CODI, da situação de
marginal, embora determinado e politizado, e passa a ser foco, a busca pelo cidadão pleno, a prioridade na formulação de
ações políticas que os beneficiem no prsente e no futuro. Nossos jovens precisam saber, precisam estudar e conhecer sua
história e se envolver com a sua cidade para conhecer os seus problemas e assim participar das importantes mudanças que
ocorrem na sua comunidade e no seu País. É muito importante que haja participação destes nos momentos de discussões
dos problemas locais e nacionais. Andirá realizará no dia 05 de março/2008 a I Conferência de Políticas Públicas para
a Juventude. A participação de todos é muito importante. Uma sociedade precisa de energia, de idéias novas, de entusiasmo.
E essas são, com certeza, virtudes dos nossos jovens.
Depressa, antes que tudo mude de cor!
Mônica Abboud Gerke
O Jornal O Estado de São Paulo trás a notícia de que o relatório da ONU - Organização das
Nações Unidas sobre as mudanças climáticas a ser divulgado em novembro mostrará que os gases do efeito estufa já
atingiram níveis perigosos.
Os níveis perigosos referidos na matéria dizem respeito às conseqüências danosas causadas pelo acúmulo de gases na
atmosfera, o que inclui o aquecimento global. Em outras palavras o clima está ficando maluco, e nós pegamos carona
nesse pé-de-vento.
Entre janeiro e setembro deste ano, o Brasil sofreu 730 desastres naturais de acordo com a Sedec (Secretaria Nacional
de Defesa Civil), e o resultado atingiu torno de 6,6 milhões de pessoas.
Só a estiagem já afetou cerca de 3,4 milhões de habitantes de oito Estados. O Ministério da Integração Nacional diz
ter gasto cerca de R$ 71 milhões na chamada operação Carro Pipa, que distribui água em cidades atingidas pela seca no
Nordeste.
Conforme a Sedec, outros 2,2 milhões de brasileiros foram atingidos por enxurradas e 534 mil, por enchentes.
Como o leitor pode observar o desequilíbrio custa caro. E essa é uma língua que conhecemos bem. Aliás, é preciso
conjugar o verbo preservar para desfrutar do outro permanecer. Na ânsia em querer mais lucros, mais indústrias, mais
conforto, trazemos mais lixo, mais desigualdades e mais impactos ao ambiente.
Coisas que nem podíamos imaginar. As manchetes estampam o medo que os europeus vivem em relação às doenças tropicais
que avançam cada vez mais latitudes acima e abaixo, ampliando a faixa tropical. A doença da língua azul (causada por
vírus) que só acontecia no mediterrâneo agora está na Grã-Bretanha, é transmitida pela picada de mosquitos. Mosquitos
e microorganismos patogênicos normalmente não formam duplas muito saudáveis. Já imaginou malária e dengue na Alemanha,
Holanda e Bélgica? Já pensou? É febre pra inglês ver mesmo. Por outro lado, tem um lado bom, pelo menos aí a pesquisa
acelera e a vacina chega rapidinho. Por enquanto só temos os heróis da ciência se contaminado com o protozoário da
malária para capturar o mosquito transmissor e continuar suas pesquisas. Isso é Brasil.
Assim caminhamos. Passos largos para uma nova ordem social. Os ricos hoje têm muito mais dinheiro que os ricos da
década de 50 e 60. E os pobres cada vez mais pobres. Consumimos muito, mas só preservamos o que pode oferecer lucro
ou possibilidade de ganho. A reciclagem de alumínio e garrafas PET é um bom exemplo no país. É a oportunidade que
muitas famílias têm de reforçar o orçamento. Mas isso nada tem a ver com consciência ecológica. O europeu separa o
lixo e economiza água, mas é pelo mesmo motivo, sai caro poluir. Se não for pela filosofia que seja pela economia
mesmo. O importante é mudar o rumo da degradação. Nem que seja porque é chique e está na moda. Aliás, a moda também
exerce um importante papel na formação de opinião. Desde que os grandes estilistas procuraram alternativas mais
limpas e menos impactantes para suas criações, preservar deixou de ser brega e de esquerda para ocupar lugar de
destaque nas passarelas e ser vanguardismo. Na verdade, que vanguardismo que nada, a classe científica estava a mais
de três décadas berrando para o perigo que estamos vivendo hoje e ninguém escutava.
É assim mesmo, a mudança só acontece quando não tem mais jeito de continuar como antes. Mas sejamos rápidos, porque
o ambiente tem seu ritmo e leva tempo para os resultados aparecerem. Seja rápido, antes que sua língua fique azul e o
nosso céu mais cinza.
RESPEITE MEUS CABELOS BRANCOS!
Mônica Abboud Gerke
Com a criação do Estatuto do Idoso tem-se a idéia de que os direitos dessa minoria serão
resguardados e garantidos. Esse conjunto de normas veio assegurar os direitos de uma classe que vem crescendo a cada
ano. Comecemos a analisar então o conceito de minoria. Minoria sob qual aspecto? Quantitativo? As mulheres representam
52% da população mundial, as etnias não-brancas correspondem a 70%, assim como os não-cristãos. Portanto, o critério é
o acesso ao poder. Poder de manifestar-se culturalmente, politicamente, socialmente. Ser minoria é possuir um grande
conhecimento e ser impedido de manifestá-lo.
Ser idoso é ser possuir esse diferencial de conhecimentos, de experiências, que a nossa sociedade capitalista e de
consumo não valoriza e reprime. Não é preciso muito exercício mental para perceber a necessidade do conhecimento e a
experiência do idoso em nossa sociedade. São detentores vivos da história e das sensações que não vivemos. As
culturas indígenas preservam a história através de seus idosos e garantem o seu futuro valorizando as suas crianças.
Ser idoso na cultura Baniwa, do alto Rio Negro na Amazônia, é possuir conhecimentos espirituais elevados, é ser o
transmissor da história da criação do mundo, é ser quem alegra e estimula a sociedade, demonstrando dignidade e
respeito, e recebendo amparo e lugar de destaque por ter cumprido com suas obrigações sociais, políticas e econômicas.
Penso que na arrogância do poder e do consumo, desperdiçamos o precioso tempo da convivência, da solidariedade, do
companheirismo, do amor e da atenção.
Os idosos representam para a sociedade a fragilidade e a finitude da vida. O jovem veste-se com a máscara da
imortalidade, muito embora a vida possa encontrar o seu termo em qualquer idade, a idéia da proximidade com o fim está
representada na figura do idoso. Na verdade, a imortalidade do homem está no seu legado, nas suas ações perpetuadas
através das gerações. E não é possível melhorarmos como indivíduos se não exercermos as virtudes do respeito, da
tolerância da humildade. Não podemos deixar nosso rastro para a imortalidade se focarmos apenas no nosso benefício e
bem estar. Doar nesse caso é sinônimo de crescer. Doar conhecimento, tempo, atenção.
Por outro lado, ser idoso exige auto-estima elevada, orgulho dos cabelos brancos e das transformações trazidas pela
idade. Também é preciso ter respeito com a saúde e impor respeito perante os outros. É preciso que suas atitudes sejam
cheias de autoridade. Se desejar exercer seu direito a não permanecer numa fila, que essa ação seja exercida com
autoridade e segurança. Se não, que a permanência na fila não seja um sinal que timidez ou humildade, mas seja sim a
manifestação à dispensa de um direito que é dele, mas que no momento não deseja ser exercido.
Parece fácil e deveria ser se nós não fossemos tão míopes ao olhar para o nosso futuro e tão amnésicos em relação ao
nosso passado. Todos nós passaremos as fases inerentes a nossa vida, então nada mais lógico que respeitar cada uma
delas. É o mínimo que se espera de cada um de nós.
Entre morcegos e ingásMônica Abboud Gerke
No aniversário comemoramos conquistas e vitórias. Reunimos amigos e celebramos a vida apesar das limitações e
angústias que todos temos.
Assim é Andirá, que comemora 64 anos. Mostra maturidade nos talentos que
criou e disseminou nesse mundão afora. São médicos competentes, engenheiros criativos, esportistas de
destaque, políticos de sucesso, músicos, atores e modelos talentosos. Assim mesmo. Sem citar nomes,
para que se perguntem uns aos outros a quem me refiro. Não é difícil. Mesmo porque há muitas outras
categorias profissionais que não citei, mas que a cidade se orgulha de ter visto nascer e ensinado a andar.
Andirá tem a criatividade como qualidade transformando reciclados em arte embelezando as ruas e
acolhendo os visitantes. Tem o altruísmo como virtude. Sabe doar para minimizar o sofrimento nas
adversidades. Quem passou não esquece a chuva de granizo em setembro de 2006. Foram 700 famílias
atendidas com a ajuda solidária da população. Tem na religião seu norte, convivendo com diferentes
formas de cultos cultivando a fé em harmonia e respeito. Ah, sim, também tem problemas graves que não
esconde embaixo do tapete. Sabe dos números que destacam a pobreza e a violência. Mas também possui
ações pioneiras na região para combater essa realidade. Conhece suas limitações sócio-econômicas e não
permite que isso diminua sua auto-estima. Como cidade sua história é recente, jovem. E tem tudo mesmo
pra crescer. Apesar da população ter diminuído nesses 10 anos, 30% são crianças e 70% da população tem
até 40 anos. Isso é energia e força de trabalho que aliada às oportunidades dos que acreditam na cidade
a farão crescer novamente, com qualidade de vida e sustentabilidade.
Andirá possui os atributos de
força e renovação. Mas ainda precisa de pessoas que se comprometam e assumam responsabilidades em
prol do bem estar comum. Nenhum município caminha sozinho. É preciso compromisso e atitude, pois se os
dados negativos da cidade mudarem para melhor, todo mundo ganha. Cidade e região, e se todas as pessoas
desejam desfrutar de uma cidade calma, próspera e confortável, deveriam desejar também assumir compromissos
para que essa mudança aconteça.
Mas um ano de esperança nesse povo que é o espelho da raça batalhadora
brasileira.
Um abraço grande e caloroso a esta cidade que enche de orgulho àqueles que carregam o
título de andiraenses.
O perigo da justiça popular
Mônica Abboud Gerke
Quando a população se movimenta para fazer sua própria justiça e julgar pelos seus próprios
critérios, é por que há uma grande confusão ou insegurança nos padrões de conduta social. O julgamento de multidões
nunca foi justo já que é motivado por uma atitude súbita e irracional. A insegurança, o sentimento de impunidade ou
injustiça pode motivar violações de direito ainda piores com consequências desastrosas. A população motivada pelo calor
da situação se julga onipotente contagiando uns aos outros levando-os a agirem de maneira contrária ao seu padrão moral
individual.
Existem meios de modificar a realidade de forma pacífica e eficiente. Mas para que tal modificação
aconteça é preciso que cada segmento esteja disposto a se envolver e se doar. O município necessita do olhar atento e
ações efetivas por parte do Estado para que possa superar suas crises e mudar a realidade local. Da mesma forma
a população precisa dispor do seu tempo e assumir responsabilidades na discussão de seus problemas e propostas
de soluções. Não há como exigir democracia sem saber ser cidadão. É preciso que haja também vontade política e
políticas sérias para garantir que proporcionem mais segurança e controle do crime, não só em Andirá, mas em toda
região. Muito fácil é levantar a lebre, criar polêmica, rotular o problema, a cidade e a população. Difícil é
encontrar pessoas dispostas a enfrentar a crise e assumir as mudanças necessárias. Quem sabe essa pessoa especial
não é você leitor, que pode fazer algo em prol do município?