www.vejaandira.cjb.net
Curitiba em Destaque


 Colunista:  Vilson Bonacin - email:  vitabona@vitabona.com.br    Fones:(41)233-5507 e 9973-3132
 Editor:  Eduardo A. Melo - email:  vejaandira@ibest.com.br  Fone:(43)9132-9721
16/12/2006


Voltar site

Edição Especial
Dr. Luiz Antonio Negrão Dias

ANDIRAENSE RECEBE TÍTULO DE CIDADÃO CURITIBANO

No dia 05 de dezembro de 2006, os amigos do andiraense Dr. Luiz Antonio Negrão Dias comparecerem em grande número na Câmara Municipal de Curitiba para prestigiar o recebimento do título de cidadão curitibano entregue ao mesmo pelo presidente daquela casa, o vereador João Claudio Derosso. A abertura da solenidade aconteceu no horário previsto e logo após compor a mesa por autoridades, o presidente da câmara, o vereador João Claudio Derosso convidou os presentes para, em pé, ouvir o Hino Nacional. Depois da execução do hino, Derosso, como presidente da Câmara de Vereadores e também o responsável pela indicação do nome do Dr. Luiz Antonio, ocupou a tribuna da casa para discursar. Falou do orgulho da Câmara em dar o titulo de cidadão curitibano ao Dr. Luiz Antonio, destacando o muito que já fez como médico para elevar o nome de Curitiba no Brasil e no exterior. Segundo ele, o belo trabalho que o Dr. Luiz Antonio desenvolveu e continua desenvolvendo para ajudar os curitibanos, é digno do reconhecimento dos representantes políticos de Curitiba e de todos que residem na capital paranaense. Ressaltou a sua atuação à frente do Hospital Erasto Gaertener, transformando-o em instituição modelo para o Brasil e exterior. Descontraidamente relatou algumas passagens engraçadas da vida de estudante do homenageado, época em que já se preocupava em ajudar os menos favorecidos. Após encerrar seu discurso, Derosso entregou o título ao Dr. Luiz Antonio que foi aplaudido em pé e demoradamente por todos os presentes. Agradecendo a homenagem, ele fez o seguinte discurso:


Boa noite

Senhor presidente da Câmara Municipal de Curitiba, vereador Luiz Claudio Derosso, a quem agradeço a acolhida do nosso nome para esse título, indicado pelos andiraenses erradicados em Curitiba, Sr. Wilson Bonacin, Senival, Hélio Paula, Cobertura e João Antonio.

Meus familiares, amigos, colegas de trabalho, senhoras e senhores.

O reconhecimento da Cidade de Curitiba ao cidadão Luiz Antonio remete à própria formação desta cidade, cuja pujança foi construída não apenas pelos nossos heróis do passado, mas por muitas mãos anônimas que se juntaram ao sotaque "leite quente" da querida Curitiba. A gente curitibana de hoje tem muito a agradecer das pessoas que, deixaram o interior para vir para a capital, trazendo na bagagem o sonho de "vencer na vida".

Eu fui um deles e, como o ditado, vim, vi e venci.

É com muito orgulho que vim de Andirá , cidade com pouco mais de 21 mil habitantes e que, só em Curitiba, reúne mais de 200 famílias que, como eu, foram motivadas por este sonho. Hoje, esses andiraenses curitibanos sentem-se homenageados, quando um de seus membros recebe esse reconhecimento e tenho certeza de que essa homenagem é extensiva a cada um deles que labuta todos os dias para uma Curitiba ainda melhor.

É a cidade de Andirá e a todos os andiraenses que devo o meu primeiro agradecimento pelo título que recebo no dia de hoje. Foi em Andirá que construí as minhas bases educacionais e morais. Em Andirá, cursei todo ensino regular e fundamental, sempre em escola pública e gratuita, bem como recebi todo apoio para os projetos que, jovem, tinha em mente. Quero aqui, através da Radio Cultura de Andirá, que agora transmite ao vivo esta cerimônia para todos meus queridos conterrâneos o meu MUITO OBRIGADO por tudo que fizeram por mim, sempre de forma desinteressada, em especial, meus familiares, professores e amigos.

Como muitos dos andiraenses e imigrantes desta capital, aqui chegando, eu confesso aos presentes, que conheci as características de cidade fria, conservadora e fechada que amedrontam quem vem do interior, cuja marca é o jeito expansivo e falador de ser.

Mas, quebrando as barreiras da cidade, fui acolhido de braços abertos por Curitiba, a quem devo toda minha formação em Medicina, na Universidade Federal do Paraná, também de forma pública e gratuita, minha formação de especialização, no renomado Hospital Erasto Gaertner e meus projetos de vida que aqui coloquei em prática. Meus queridos curitibanos e agora irmãos, MUITO OBRIGADO.

Em todos os âmbitos da nossa vida, seja na política ou mesmo no meio empresarial, a certeza de que estamos fazendo a diferença não vem através de nossas palavras, mas de nossas atitudes. A boa intenção de nada vale se não vier acompanhada de ação.

E, carregando na alma meu espírito competitivo e aguerrido, fui um dos sócios fundadores do Instituto de Oncologia do Paraná, em 1985, onde tive apoio dos meus colegas de trabalho, que sempre acreditaram no meu potencial, na minha honestidade e capacidade de trabalho, a frente dos projetos que tornaram o IOP uma referência em oncologia no mercado privado, e, mais recentemente, não mediram esforços para investir em um grande projeto que abracei com o desafio de transformar Curitiba em um pólo nacional no tratamento de radioterapia.

O nome desse desafio é Oncoville, foram 4 anos de muito estudo, observação e espírito empreendedor, permitindo trazer a Curitiba o que existe de melhor no mundo em tratamento com radioterapia. A cidade, agora, ocupa a vitrine em oncologia, recebe pessoas de outras cidades, estados, inclusive outros países, que antes iam se tratar do câncer em centros diferenciados como São Paulo e Miami. Atraídos agora, pelo fato de Curitiba sediar um dos maiores empreendimentos no tratamento radioterápico da América Latina e contribuir para a cura do câncer com menores efeitos colaterais. A todos os meus sócios, que confiaram em mim, meu MUITO OBRIGADO.

Como empreendedor e como cidadão paranaense, andiraense e, neste momento, curitibano, sinto-me muito realizado por ter participado da construção dessa realidade. Mas, como característica própria do ser humano Luiz Antonio, nunca parar no tempo, não consigo deixar de criar, de empreender. Ao vislumbrar o infinito através das estrelas, o homem nunca deve limitar sua capacidade, que é ilimitada.

Com esse pensamento, minha mente sempre borbulha idéias, projetos e isso têm muita relação com minhas convicções desde que eu era acadêmico de Medicina e até antes disso.

Enfrentei mais outro desafio, muito mais difícil e desafiador. O de administrar um hospital com poucos recursos, dívidas, déficit mensal, conflitos internos e atendendo a maioria de pacientes menos favorecidos.

Estar à frente de uma instituição como o Erasto Gaertner revelou-me um segredo da vida, a necessidade de INTEGRAR talentos. Aprimorei o meu espírito de liderança que sempre foi uma das minhas marcas. Sempre fui capaz de aglutinar pessoas e, ao mesmo tempo, dar condições para extrair delas o melhor sem que percebessem a minha intervenção. Eu me encaixo no perfil de James Hunter, de "O Monge e o Executivo", de ser o líder servidor, aquele que serve como base para que as outras pessoas possam se descobrir líderes e, assim, multiplicar o surgimento de mais e mais líderes imbuídos nesse espírito de equipe, sem melindres, egoísmo ou posse.

Se olharmos para o passado e não muito distante, perceberemos que o mundo e os conceitos mudaram. Antes se o foco era nos produtos/serviços, hoje ele está voltado para as pessoas, afinal elas são as magias de uma empresa e da vida em si. Ainda mais em um hospital humanizado.

Foi investindo em pessoas e talentos que o Erasto sofreu sua grande transformação, sob meu comando, voltando a ocupar sua posição de referência no cenário nacional, com equilíbrio financeiro, ocupando hoje lugar de destaque em qualidade entre os hospitais que atendem SUS. A todos os médicos, colaboradores, gerentes, parceiros e pacientes do Hospital Erasto Gaertner, o meu MUITO OBRIGADO.

O grande desafio é a realização daquilo que a vida nos ensina! Isso é o mais importante. É a práxis. É o apreender. É a união do aprender com o sentir, o agir e o viver. É o que faz a diferença. É aprimorar o caráter, a sensibilidade, a amizade. É ter uma forma justa de ver as coisas, as pessoas e o mundo. É compaixão (viver com-paixão!!!). É ter senso de independência, capacidade de decisão. É saber muito bem o que quer e o que não quer.

A vaidade é a maior responsável pela queda e decadência de grandes imperadores e de profissionais de elevada "performance". Minha sugestão é que cultivemos a simplicidade em nosso comportamento e determinação em nossos objetivos. Foi com isso que atingi o sucesso.

O Câncer acomete cerca de 472 mil pessoas por ano no Brasil. Estima-se que cerca de 90mil delas morram sem a devida assistência. O que mais assusta é que o aumento crescente do número de casos fará do câncer a maior causa de morte no mundo, em 2040. Como integrante do Conselho do Instituto Nacional do Câncer e da Associação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Combate ao Câncer, vivencio diariamente a necessidade de fazer ouvir a voz dos mais necessitados, em busca de tratamento remunerado por uma tabela do SUS há oito anos sem reajuste, impedindo um acesso digno à saúde, onde tecnologias de ponta e medicamentos mais potentes e direcionados ao alvo nem chegam a esses pacientes. E afirmo hoje, sem sombra de dúvida, que "ser pobre é um fator de pior prognóstico para o câncer".

Hoje, acredito que ainda tenho muito trabalho a realizar, em especial pela classe médica, que ao longo dos anos e com a inevitável transformação do capitalismo, teve sua imagem dilapidada. Mais ainda: perdeu sua própria identidade e não consegue se situar entre a ética de exercer sua atividade, que se diferencia de todas as outras, e a pressão do capitalismo, do mercado e suas necessidades prementes. Como exemplo, a matéria publicada na revista Galileu dessa semana alerta que médicos e a indústria estão próximos demais, o relacionamento dos doutores com os gigantes da milionária indústria da saúde estão inventando doenças com a finalidade de venderem novas drogas.

Esse cenário reversível tem afetado a relação médico-paciente e a confiança que até então existia. Muito acima de ser administrador, sou médico. Vou entrar nessa batalha contra esse capitalismo doentio perturbando nossa ciência médica, vou lutar com os colegas médicos de hoje e os que virão a equilibrar sua missão e suas necessidades. O médico precisa voltar a ocupar a posição central e passar a ter uma voz predominante no ciclo produtivo da medicina. Isso é uma medida urgente e que precisa mais do que palavras, de ação.

Do outro lado, o médico mal remunerado vive um dilema que precisa ser resolvido no país. Ao contrário de Curitiba, que é uma ilha, o Brasil pena por falta de visão política quanto à necessidade de se destinar recursos para a saúde com projetos eficazes. Vive o dilema de assistir a contribuição da CPMF para a saúde desviada de seus objetivos iniciais, o projeto de lei que regulamenta a Emenda Constitucional 29, que define o que é gasto em saúde, abandonado no congresso em detrimento de outros interesses.

Toda sociedade depende, para seu equilíbrio e desenvolvimento, de 4 sistemas que se superpõem, se entrelaçam e se influenciam mutuamente: o biológico, o político, o econômico e o cultural . Se um desses setores vai mal, os outros sofrem os seus efeitos. Infelizmente, vivemos num tempo onde são notórios os desacertos políticos, economia com crescimento mísero e muito pobre o panorama cultural. Em face disso, inevitavelmente, a área de saúde não pode ir bem. É difícil manter um bom nível, quando as verbas para as escolas são escassas, quando as boas residências são poucas, quando a medicina previdenciária mostra falhas gritantes e se torna massificada, com a interferência da indústria, despersonalizando o relacionamento médico-paciente, fundamental para o bom exercício da arte médica.

Pode ser fácil tratar uma doença num indivíduo bem alimentado, mas torna-se muito difícil fazê-lo em populações carentes, subnutridas, de pouca cultura e que vivem em ambientes de precárias condições higiênicas; não é difícil prescrever um remédio e pedir ao paciente que o tome às refeições; mas é extremamente penoso notar que o doente não tem dinheiro para comprar o medicamento e, muitas vezes, não tem nem mesmo as refeições em que tomá-lo. É muito difícil trazer tranqüilidade a homens que não têm emprego ou, se o tem, tem medo de perdê-lo.

E lhes digo mais, ser médico, diante de tudo isso, não é apenas ter uma profissão. É mais que isso. É uma filosofia de vida, um modo peculiar de ver o homem, uma perspectiva própria do mundo, e, talvez, até mesmo, uma outra visão de Deus.

Diante deste cenário, temos muito por fazer ainda. É com esse espírito de combate às causas da saúde que vou trilhar um caminho necessário. É hora de fazer acontecer, de mudar pelo exemplo de retidão, ética e honestidade. É tempo do Brasil se guiar sob nova cartilha, ditada por nós, cidadãos que pagamos nossos impostos e precisamos nos fazer ouvir pelo que somos, pelo que construímos e pelo sonho que acreditamos ser possível concretizar.

Quero dividir com os mais jovens, um dos meus lemas de vida, que aprendi nessa casa, citado pelo colega Dr. Benedito em sua homenagem. O Modelo Patriarcal, onde de segunda a sexta-feira trabalho e escola, no sábado os amigos e no domingo a família e igreja.

Quero agradecer a toda a minha família, o Sr. Luiz Dias e a Dona Siméia, meus irmãos, cunhadas e cunhado, meus sobrinhos, que sempre estiveram comigo, reconhecendo todo o amor que têm por mim e o esforço que fizeram durante os anos de minha formação. Devo tudo a eles. Toda bagagem de ética e honestidade aprendi dentro de casa, com vocês, e isso é meu maior patrimônio de vida.

E por último, agradecer a Deus, fonte inspiradora de todos os meus atos e que, sempre, em todos os momentos esteve do meu lado, de fé. . . .

Muito obrigado.


Após a solenidade, os presentes foram convidados a se deslocarem até ao salão de festas no prédio anexo à Câmara, onde foram recepcionados com um coktail com música ao vivo tocada por um competente conjunto de violinistas. Foi possível cumprimentar ao Dr. Luiz Antonio e falar com todos os amigos. Podemos dizer que aconteceu um "mini-encontrão" em Curitiba, dada grande a presença de andiraenses, tanto dos que residem na Capital como dos que vieram de Andirá. Tivemos momentos de grandes emoções e muita alegria, numa nova demonstração de que somos de fato uma verdadeira família. Ao Dr. Luiz Antonio nossos parabéns pelo título recebido, fruto do excelente trabalho que desenvolve em Curitiba. Ainda jovem, seu futuro é bastante promissor. Quem viver verá.

Vilson Bonacin
Curitiba

Veja as fotos do evento:

Fotos by: Adriana Abreu

Dr. Luiz Antonio Negrao Dias

Dr. Luiz Antonio Negrao Dias

Dr. Luiz Antonio Negrao Dias

Luiz Antonio Negrao Dias

Luiz Antonio Negrao Dias

Luiz Antonio Negrao Dias

Luiz Antonio Negrao Dias

Luiz Antonio Negrao Dias

Luiz Antonio Negrao Dias




As matérias publicadas aqui são de inteira responsabilidade de seus autores ou dos veículos citados, não refletindo necessariamente a opinião dos editores ou responsáveis pelo site.
   vejaandira@ibest.com.br
Copyright © 2001 - 2006 Eduardo A. Melo - Todos os direitos reservados.